domingo, 11 de junho de 2017

Antigas profissões dos cebolas X Os catadores de lavagem

Criar porcos ainda é um ofício em pleno exercício da atividade. Existem aos montes, mas nada tem em comparação aos antigos criadores de porcos existentes nas pequenas cidades do interior e neste caso mais específicos irei falar sobre os antigos criadores de porcos que existiam nas décadas sessenta e setenta do século XX, na cidade de Itabaiana (SE).

Os porcos eram criados em chiqueiros (pocilgas) onde o que prevalecia era a existência de muita lama e o mau cheiro que se espalhava pela redondeza. Muito desses chiqueiros pertenciam a moradores da área urbana, que gerava conflito com os vizinhos, justamente por causa do mau cheiro. Em algumas ocasiões, os vizinhos, dos chiqueiros, colocavam os chamados “bolos” (comida envenenada), na ausência dos donos, para matarem os porcos e se livrarem do chiqueiros e consequentemente do forte mal cheiro. 

A característica da existência de lama nos chiqueiros passou a ideia que os porcos gostam de lama e que na verdade eles gostam de ambiente com muita água por motivo da necessidade de se refrescarem. Nos atuais criadouros de porcos é praticamente inexistente a presença da lama, mas é comum a existência de muita água. 


A alimentação dos porcos 


Os porcos eram alimentados em sua grande maioria com os restos de produtos agrícolas, restos de comidas e às vezes compravam ração. Os criadores das áreas rurais usavam os restos de colheitas (era o mais comum), restos de alimentos da família e às vezes complementavam a alimentação dos porcos comprando ração. A compra de ração era mais comum no período de entre safras e períodos de seca.

Para os chiqueiros existentes nas áreas urbanas, a alimentação era feita com a compra de rações (independente de seca ou período de safra) e restos de alimentos de comida da família, mas não somente da família que criavam os porcos, mas também os restos de comidas das famílias que moravam próximos.


Catando a lavagem


A compra de ração para alimentar os porcos não era viável economicamente e para aliviar o peso da compra da ração, os criadores saiam pelas ruas à cata dos restos de comida dos moradores próximos. Existia um consenso entre os moradores e os criadores de porcos onde os restos de comidas eram acondicionados em baldes, deixados nas portas das casas pela madruga para serem recolhidos por estes catadores. Esses restos de comidas, deixadas nos baldes, eram chamados de lavagem.

A coleta era feita usando carroça de mão com tração humana (era raro) ou uma carroça de tração animal (era o mais comum), com um tambor de metal (chamavam de tunél) em cima da carroça. Com a carroça de mão, uma pessoa puxava a carroça e outra ficava encarregada de pegar os baldes e colocar a lavagem no tunél e quando era usado a carroça de tração animal, uma pessoa ficava em cima da carroça junto com o tunél e uma ou duas pessoas ficavam encarregada de pegar os baldes, entregava ao que estava em cima da carroça e este adicionava a lavagem ao tunél.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)


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